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terça-feira, 28 de abril de 2009

Correr vira estilo de vida nas metrópoles

RIO - Não precisa pagar mensalidade nem cumprir horário. Só é preciso um caminho e um bom par de tênis. A recompensa aparece logo: emagrecimento, manutenção do peso e disposição, mesmo para quem não abre mão dos prazeres à mesa. Por isso a corrida de rua é o esporte que mais cresce no mundo. E ser corredor vem extrapolando os limites da forma física e se tornando um estilo de vida, especialmente nas metrópoles.A Corpore, uma associação de corredores sem fins lucrativos com sede em São Paulo, tinha 227 mil praticantes cadastrados no final de 2008, um crescimento de 24,7% em relação a 2007 e 26 vezes maior do que o número registrado em 1997, quando a entidade contabilizava 8,5 mil corredores no Brasil. A entidade, fundada em 1982, foi criada para apoiar maratonistas brasileiros que corriam no exterior, como Joaquim Cruz, medalhista de prata em Olimpíada. Na época, seus associados eram atletas porque a legislação não permitia profissionalização de maratonistas.
Nos anos 90, o número de corredores amadores começou a aumentar. No fim dos anos 80, a maioria dos praticantes corria por recomendação médica. Depois o foco mudou para a forma física e o que vemos hoje é que a corrida se tornou um estilo de vida, analisa o presidente da Corpore, o psicoterapeuta David Cytrynowicz, de 61 anos.
As corridas de rua perderam o foco na competição e se transformaram em eventos de lazer e confraternização. Enquanto alguns gostam de correr sozinhos e veem no esporte a chance de um momento de introspecção, boa parte dos esportistas tem vida social em torno da corrida. Ter companhia é um dos motivos que levam os corredores a associarem-se a uma equipe. Na orla do Aterro do Flamengo, Leblon, Ipanema e Lagoa, no Rio, há mais de dez de tendas onde, por um preço menor do que o de uma academia, os corredores têm treinamento individual.
Cuidados
: Apesar de ser um esporte que pode ser praticado por qualquer pessoa, a corrida pode provocar lesões e até a morte, como foi o caso do brasileiro José Carlos Gomes, de 58 anos, que morreu na Maratona de Nova York, no ano passado. A atividade física melhora o coração, mas se ele estiver fraco demais ou houver uma doença cardíaca preexistente e ignorada, pode matar, explica o médico de esporte Miltom Mizumoto.
Por isso, antes de começar a correr, especialmente homens acima de 35 anos e mulheres acima de 45 devem fazer um eletrocardiograma de esforço e um hemograma, recomenda. Entre os benefícios da corrida estão a melhora no condicionamento físico e a prevenção ou melhora da diabete e da pressão arterial. Nos primeiros três meses, já se consegue a melhora na saúde. Depois disso, começam os ganhos na performance. Mas o médico pondera. Se botar treino em cima de treino, o músculo estoura. Comer e não fazer nada também tem de fazer parte do treinamento.
Fonte.: estadao.com.br